oh! venus

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quarta-feira, 16 de maio de 2012


12MaisLapa: Um encontro de Arcos abertos


                                                                                                     Foto: Luiza Luz

Aconteceu neste sábado dia 12, o encontro “12MaisLapa – Carnavalizando a política”, a versão local do movimento “12M 15M”¹. O evento, que aconteceu das 16h à 0h, foi organizado por coletivos e agitadores independentes. A proposta manteve o feitio dos eventos congêneres: ocupação do espaço público, produção colaborativa, intervenções artísticas, shows, e uma abertura invisível mas existente para a espontaneidade e a livre expressão.

Um traço marcante desses eventos é que o diálogo sobre produção e a divulgação começam praticamente ao mesmo tempo. Explico. A ideia é concebida por um grupo, o evento é criado no Facebook e em outras redes sociais: a proposta é lançada. Mas não é incomum que nas mídias do evento surjam novas sugestões de atrações. Nas palavras da professora e diretora da ECO/UFRJ Ivana Bentes, presente na ocasião, “não existe mais distinção entre fazer a comunicação dos movimentos e organizar os movimentos”.  O modo de produção colaborativa é horizontal e construcionista desde criancinha, ou melhor, desde a concepção. A grade de programação é conversada (inclusive pelas redes sociais), palpites e sugestões não só têm lugar como são decisivos e de grande importância.

O evento montou colaborativamente uma grade de 8 horas de programação. Eram previstos shows, performances, um piquenique colaborativo, confecção de cartazes, e outras atividades. Ao longo de todo o 12MaisLapa, os passantes e os presentes, curiosos em geral, puderam interagir com Wando – “LaWando a Roupa Suja”. A performance realizada por Adriano de Angelis sensibilizou o público a publicar nas calcinhas aquilo de mais impublicável que os indignava.

O Coletivo Joaquim 71, mais um grupo com cara de filho de todos, fez um show tão performático quanto era esperado. O vocalista esteve o tempo todo interagindo (ironizando) com os transeuntes, imprimindo um clima de descontração (estranheza) em todos os que passavam. Os casais dançaram juntinhos, muita gente parou pra ver. O 12MaisLapa foi uma amigável social a céu aberto. E a motivação era mais que nobre!

Estiveram presentes e atuantes algumas “personalidades”, entusiastas da vida pública, como Marta Peres (professora de Direção Teatral) que dirigiu a performance protagonizada por Luiza Guimarães, Joãozinho Carioca (compositor conhecido pela Lapa) e o deputado André Barros (advogado da Marcha da Maconha). Na organização e registrando o evento estavam Rafael Vilela, Thiago Dezan, Felipe Altenfelder, Vitor Guerra e Filipe Garcia Peçanha do Coletivo Fora do Eixo, Luiz Roberto Lima da Futura Press, e fotógrafos independentes.

O 12MaisLapa, pretendendo atribuir um pouco mais de leveza às discussões de cunho político, foi palco de muitas conversas interessantes. O que parece ser o diferencial, em termos humanísticos, deste e de outros movimentos gestados sob o impacto dos 12M e 15M, são os aspectos de permissão e incentivo à livre associação de pessoas, à autonomia e iniciativa, e à intervenção consciente no espaço público. Assim, podemos imaginar, toda manifestação sincera é bem-vinda, o convívio é leve e a arte flui à toda prova!




¹ - Ao mesmo tempo acontecia o 12Méier, no anfiteatro da Praça Agripino Grieco – Méier.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A repaginação do debate sobre Meio Ambiente

Durante esta que foi chamada a Semana do Meio Ambiente (do dia 6 ao dia 12 de Junho) os diversos ambientes culturais do Estado do Rio moldaram suas programações no esforço de exprimir um forte abraço à Mãe Natureza. Um forte abraço que não é de despedida, como no caso das pretensões encabeçadas pelo Novo Código Florestal. E assim, aproveitando o embalo, os os Centros Acadêmicos das faculdades, Centros Culturais e até mesmo os Comerciais (como o Edifício Argentina, na Praia de Botafogo) disponibilizaram sua estrutura para a instalação de eventos com essa temática.

A renovação do olhar lançado sobre a questão do Meio Ambiente se torna uma realidade na medida em que os facilitadores dos debates e discussões se apropriam de novas linguagens para abordá-la. Transferir o domínio desta discussão da prolixa e inconclusiva esfera "intelectual interessada", das rodas de discussão pessoais demais, ou das discussões nas esferas políticas privativas demais, é um papel que cabe, mais uma vez, aos acadêmicos - claro - mas também aos artistas, produtores culturais e curadores, que vão rebolar pra trazer o assunto à tona de uma forma que não seja maçante e nem tampouco distanciada.

Como todo novo aspecto da vida social e econômica de um povo se demora em ser conhecido a fundo, a Sustentabilidade vem aguardando as condições propícias para permear o imaginário-cidadão. Juntando o grande bafafá gerado em torno da discussão do Novo Cógio Florestal, com as previsões do grande evento Rio+20, + a mercadorização da chamada ao consumo e usufruto conscientes dos bens, podemos imaginar o quanto estamos em um ponto estratégico das pensações-coletivas no que diz respeito à forma como viemos (NÓS - cultura, senso-comum e classe política) olhando o "natural", e à gente que está inserida nesse modus (indígenas, ribeirinhos, extrativistas, ambientalistas,...). E estratégico também no ponto de vista da aplicabilidade dos projetos e soluções verdes: como tornar o conceito de sustentabilidade algo além de uma estorinha bonita que contamos pros nossos filhos momentos antes do JUÍZO FINAL (preparem seus botes, radinhos elétricos e baterias solares!).

A proposta da Semana do Meio Ambiente warms up the enviroment para esse encontro. E, variando de acordo com o local que cedia o evento, ocorrem mostras independentes de cinema, apresentações de teatro, números de dança, documentários aclamados - outros não tão conhecidos, mas tudo isso tendo diante dos olhos algumas questões centrais: o acesso à terra, desmatamento versus agricultura familiar, concessão de terras a hidrelétricas e mineradoras, o capital privado invadindo santuários e reservas ecológicos, preservação do modus vivendi de comunidades, preservação do patrimônio nacional e planetário,... Passando inclusive, e principalmente, por onde o senso-comum não passa.


Seguem alguns links com a programação para o restante da Semana:

A programação da faculdade PUC-Rio:
http://www.nima.puc-rio.br/index.php/pt/xvii-semana-de-meio-ambiente/sobre-a-semana

CineGaia – 1º Festival de Cinema Ambiental do Jardim Botânico:
http://www.cinegaia.org/

Em Petrópolis:
http://www.e-tribuna.com.br/2011/index.php?option=com_content&view=article&id=13049:-semana-do-meio-ambiente-2011-com-tema-qpacto-de-saneamento-bascioq&catid=68:bloco-1-com-foto


Exposições e eventos relacionados (disponíveis ao público ao longo do mês de Junho):


Exposição “Sensações do passado geológico da Terra” – Até 17 de Julho na Casa da Ciência:
http://www.casadaciencia.ufrj.br/Exposicao/sensacoes/divulgacao/flyer_pro.htm

“Histórias da Mãe Terra”, encenação do grupo Cantos do Rio sobre o surgimento do planeta – Até 17 de Julho, todos os domingos, na Casa da Ciência:
http://www.casadaciencia.ufrj.br/Exposicao/sensacoes/divulgacao/flyer_maeterra_pro.htm

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"Mas antes nós temos que enlouquecer um pouco!"




"Nós sabemos que as coisas estão ruins. Pior que ruins! Elas estão enlouquecendo!

Tudo em todo lugar, está ficando maluco.
Então nós não saímos mais de casa. Nos sentamos dentro de nossas casas, e lentamente o mundo em que vivemos vai ficando menor.

Tudo o que dizemos é "Por favor, por favor, ao menos em nossas casas deixem-nos em paz. Deixe-me ter minha tostadeira, minha TV e minha calota cromada! Não direi nada. Só deixe-me em paz.."

Pois eu não vou deixá-los em paz. Eu quero que vocês enlouqueçam!
Eu não quero que vocês protestem ou façam um tumulto.
Não escrevam para seu congressista. Porque não sei o que dizer pra vocês escreverem.
Eu não sei o que fazer sobre a "depressão", a inflação... os russos, e o crime nas ruas,...
Tudo o que eu sei é que antes de tudo vocês tem que enlouquecer!!!
Vocês tem que dizer:

EU SOU UM SER HUMANO, DIABOS!
MINHA VIDA TEM VALOR!!!"


trecho do longametragem Rede de Intrigas, direção de Sidney Lumet.

Link para o vídeo:

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Informativos: a Polícia Política, Os marginais e Os marginalizados, e A proibição das Drogas

I.A POLÍCIA POLÍTICA


Vídeo com o depoimento elucidativo de Hélio Luz, então Chefe da Polícia Civil.
Demitido pelo depoimento prestado.


"Onde, realmente, está o crime organizado? Como podem os desapropriados, explorados e oprimidos se organizarem numa máfia? A questão do estado paralelo foi colocada em evidência por ocasião da morte de um jornalista, com a notícia de que ele foi sequestrado, julgado, condenado e morto por um bando. Isso, no Tribunal, foi considerado estado paralelo e, em cima, a colocação de crime organizado. Acredito que exista o estado paralelo, mas não é isso. A marginalidade não constitui estado paralelo.

A favela é um gueto que substituiu o local da senzala. É a senzala do século XXI, onde se situa a reserva de mão de obra, os negligenciados pelo Estado – reserva mantida pelo sistema de exploração. É aí que vamos tocar na origem da polícia, criada para fazer o controle dessa população. Em 1808, era o controle social dos escravos, agora é o controle dos
favelados – os negligenciados (...)
" (Texto de Hélio Luz na íntegra aqui.)



II. OS MARGINAIS E OS MARGINALIZADOS

"(...)Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadan Husein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo?

Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro(...)" (Texto de Chico Alencar na íntegra aqui.)



III. A PROIBIÇÃO DAS DROGAS
(e as conseqüências para os setores de Saúde e Segurança Pública)



Vídeo configurado pela união de diversas organizações científicas, em função da Declaração de Viena* , que operam para legitimar o acesso à cura, e/ou tratamento das vítimas do uso de drogas.
Contém estatísticas e comparações acerca dos investimentos feitos pelos Poderes Públicos de alguns países para sanar as questões adjacentes da guerra contra as drogas.


Alguns tópicos levantados pela Declaração de Viena*:

"No contexto da evidência avassaladora de que o cumprimento da lei não tem alcançado seus objetivos declarados, é importante reconhecer e abordar suas consequências prejudiciais. Estas consequências incluem, mas não se limitam a:
  • Epidemia de HIV fomentada pela criminalização das pessoas que usam drogas ilícitas e pelas proibições ao fornecimento de agulhas esterilizadas e tratamentos de substituição a opioides.9, 10
  • Explosão do HIV entre usuários de drogas encarcerados e institucionalizados, como consequência de leis e normas punitivas, assim como a falta de serviços de prevenção do HIV nestes ambientes.11-13
  • Erosão dos sistemas de saúde pública, quando o cumprimento da lei impulsiona os usuários de drogas dos serviços de prevenção e cuidado, a ambientes onde o risco de transmissão de doenças contagiosas (ex.: HIV, hepatite C e B e tuberculose) assim como outros danos é redobrado.14-16
  • Crise nos sistemas de justiça criminal como consequência das taxas recordes de encarceramento em uma série de países.17, 18 Isto tem afetado negativamente o funcionamento social de comunidades inteiras. Enquanto as disparidades raciais nas taxas de encarceramento por crimes relacionados a drogas são evidentes no mundo inteiro, o impacto tem sido particularmente grave nos EUA, onde aproximadamente um em nove afro-americanos no grupo etário de 20 a 34 anos é encarcerado todos os dias, em consequência principalmente do cumprimento da lei.19
  • Estigma com relação às pessoas que usam drogas ilícitas, o que reinforça a popularidade política da criminalização dos usuários de drogas e enfraquece a prevenção do HIV, assim como outras iniciativas de promoção da saúde.20, 21
  • Violações graves dos direitos humanos, incluindo tortura, trabalho forçado, tratamento desumano e degradante, assim como a execução de delinquentes dependentes de drogas em uma série de países.22, 23
  • Enorme mercado ilícito de drogas equivalente a um valor anual estimado de $320 bilhões de dólares.4 Estes lucros permanecem totalmente fora do controle do governo, fomentando o crime, a violência e a corrupção em inúmeras comunidades urbanas e tem desestabilizado países inteiros, como a Colômbia, o México e o Afeganistão.4
  • Bilhões de dólares do contribuinte são desperdiçados na abordagem de "Guerra às drogas" para controlar as mesmas, que não alcança seus objetivos declarados e, em vez disso, direta ou indiretamente contribui para os danos acima.24"


Link para a Fonte:





* - Esta é a declaração oficial da XVIII Conferência Internacional da AIDS (AIDS 2010) que acontecerá em Viena, Áustria de 18 a 23 de julho. A declaração foi escrita por uma equipe de especialistas internacionais e iniciada por vários dos órgãos líderes mundiais científicos de políticas de drogas e HIV: a Sociedade Internacional da AIDS, o Centro Internacional para Ciência nas Políticas de Droga (ICSDP), e o Centro para Excelência em HIV/AIDS da Columbia Britânica.

sábado, 27 de novembro de 2010

Sobre o despropósito das opiniões de última hora

...Mais especificamente das que vangloriavam emocionadamente as operações policiais no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro.

“E sabe qual o meu ponto?: é uma situação histórica milenar, e minha opinião pessoal não vale um punhado de merda à granel. Porque a minha opinião não muda NADA.

Porque a minha opinião é totalmente pessoal. Não mais falaciosa que qualquer "verdade" expressa...
Por que? Porque eu já tive dentro de sindicato, já tive em confusão no Morro da Providência com policial jogando spray de pimenta em rosto de criança, pivetes sendo escurraçado pela polícia (amigão, a polícia faz a limpa na zona sul, e na zona norte/central eles descontam a raiva, só isso) os mlqs que não conseguiam respirar depois. EU VI. Idem para ambulantes, sem teto, e mendigos. Ninguém me disse que comunidades rurais morrem de fome por o INCRA só dispensar à eles o terreno fudido e infértil, longe de qualquer infraestrutura. EU VI. NINGUÉM ME DISSE. Eu ouvi com meus próprios ouvidos macios e o coração apertados depoimentos de mães que foram prezas, estupradas, seus filhos morreram sem que elas sequer os vissem crescidos. E o que mais me dói: "A nossa dor é comemorada como índice de eficiência policial".

E vivido isto, IMPOSSIVEL (PRA MIM), olhar pro seu ponto de vista e achar "natural". Ter vivido isso junto de gente de verdade (e não pessoas "inventadas" pelos jornais) me faz TREMER perto da "obrigação social" de ter uma opinião formada a respeito de um GENOCÍDIO que é HISTÓRICO (mais uma vez).


Luiza Schiavo in flames

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Diálogos de FACEBOOK

Huan Cardoso: brasil é cagar domingo, porque no resto da semana é nadar no cocô...

Mc Chino: hj tem exterminio de favelado.

Luiza Luz: pena de morte, combate ao "problema bandido", VEM CÁ: vcs JURAM que são letrados, estudantes? vcs JURAM que são seres humanos?

status just-in-time: vontade de chorar lendo o que to lendo

Huan Cardoso: Tp, nego acho q era só instalarem umas UPPzinhas q os traficantes iam ficar de boa. Era esse o plano de combate ao narcotráfico do estado? Fail

Luiza Luz: nego deixa passar fome, outros fazem riqueza a partir da fome, e a culpa é do nego. não da fome. a culpa é da riqueza dos traficantes, não da falta de dignididade com que a vida humana é tratada.

status just-in-time: vcs ficam com seus problemas, eu fico com as minhas resoluções. E ESTÁ RESOLVIDO.


* * *

http://blog.jangadeiroonline.com.br/solidariedade/boa-acao-cartas-de-criancas-para-apadrinhamento-ja-estao-disponiveis-nos-correios-16297/

PEGUE UMA CARTA E REALIZE UM SONHO. Tá agoniado querendo fazer alguma coisa pela nossa cidade? Faça Você Mesmo.

Cada carta trás pedidos dos mais básicos (casaco roupa para parentes) à pedidos dedicados e desesperados! CIDADANIA É O QUE VC FAZ, NÃO SÓ O QUE VC PREGA.

TAMO JUNTO

Jornal das Grandes Causas


Vídeo gravado com o depoimento crú e honesto do artista Eduardo Marinho sobre a forma como encara a vida, e por conseqüência a realidade social do país em que vive.

***


Um revolucionário, um evolucionário, qualquer um desejador de trabalhar por mudanças reais na sociedade e no mundo, precisa começar esse trabalho dentro de si mesmo, se quiser ter consistência nas ações externas. Perseverança, serenidade, convicção e ausência de expectativas. A humildade facilita muito o caminho. Evita a sensação de humilhação e aumenta a capacidade de perceber as coisas. O orgulho, ao contrário, cega, se ofende, fere, desequilibra. Mas é estimulado ao extremo.

(...)

Somos nós, todos, a força dos que nos oprimem, os controladores do mundo, os donos dos impérios. Sem a submissão, não há impérios. Se não posso mudar o mundo, posso mudar minha visão de mundo, meu comportamento, meus valores, meus desejos. E existir é a função. Ser da forma que eu gostaria que todos fossem – ou viver tentando.”


Para maiores informações, o endereço do blog em que escreve é esse.